Crespo desvia de comentar política do São Paulo, mas admite: ‘Cenário que não ajuda’


Hernán Crespo evita responder sobre qualquer setor além do time do São Paulo, de departamento médico até composição do elenco. Após a derrota para o Ceará pelo Campeonato Brasileiro, porém, o argentino admitiu que a situação política do clube “não ajuda” o que acontece em campo.

Apesar da “confissão”, Crespo mantém a postura de que não há o que possa ser feito por ele ou pela comissão técnica para amenizar o cenário crítico do bastidor.

“É uma situação muito particular que, no todo, não ajuda. Mas temos que focar naquilo que podemos controlar. Tentar fazer bons jogos, ganhar, acreditar que podemos classificar às copas internacionais. Tentamos estar fora dessa situação (política)”, disse, em entrevista coletiva.

A fala vem depois de o MorumBis registrar o pior público em uma partida sem restrições de presença desde 2019. Foram apenas 12.342 são-paulinos nesta segunda-feira. Para o treinador, é preciso entender o torcedor, mas compreender também as limitações que o time tem nesta situação.

“O mundo ideal é que elenco, comissão técnica, diretoria e torcida estejam juntos. Tem momento de quebra. O motivo? Tem de perguntar à torcida. Se é uma questão política, nós (comissão técnica) não podemos fazer nada. Temos de encontrar soluções que fazem parte do jogo, da vida, do futebol. Sabemos que, como tivemos uma sequência positiva, pode acontecer uma negativa. Depende o jeito que isso chega. O time não está jogando muito bem, mas está bem. A bola não está entrando”, tentou amenizar.

O técnico defendeu que o desempenho do time não é condizente com a sequência negativa, de quatro derrotas, todas sem fazer um único gol sequer.

“Cada jogo tem a sua própria história. A realidade é que a de hoje, se você me perguntar se jogou bem, não, pode jogar melhor. Foi merecida a derrota. Chutamos duas vezes na trave, eles encontraram o gol em um rebote. Tentamos por todos os lados, mudar a escalação e a forma de jogar. Assim como antes dava tudo certo, agora teremos de fazer mais”, analisou.

O ataque, setor mais desfalcado do time, também foi tema da entrevista coletiva. Luciano tem jogado como centroavante, diante das ausências de Calleri, André Silva e Ryan Francisco.

“Fórmula mágica não tem. Depende das características do rival e das situações particulares durante o jogo. Neste momento, não estão dando certo todas as escolhas que vamos fazer porque não tivemos o resultado. Quando passamos pelo Atlético Nacional, eu falei que não passamos, porque não jogamos bem. Neste momento, tivemos quatro derrotas, mas não merecemos. Se formos um a um, no mínimo (mereceríamos) um empate. Até hoje. Ninguém encontra a fórmula mágica. Gostamos do futebol por isso”, defendeu.

“É um momento emocionalmente difícil, porque ninguém gosta de perder. Mas o único jeito é trabalhar, acreditar naquilo que sabemos fazer e esperar que não chutemos na trave, ou que o goleiro não seja a figura do jogo. Claro que, jogando a cada três dias, as coisas positivas e negativas vão aparecer muito”, concluiu.

O São Paulo volta a campo ainda nesta semana, na quinta-feira, quando visita o Fortaleza, na capital cearense, às 19h30, pela 26ª rodada. Depois, o adversário é o Palmeiras, no domingo, no MorumBis.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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