Com a chegada do calor e o aumento das atividades em piscinas, praias e banhos prolongados, cresce também a ocorrência de desconfortos causados pela entrada de água no ouvido. Embora, na maioria das vezes, o incômodo seja temporário, alguns cuidados simples podem evitar complicações como infecções e inflamações.
Segundo o professor de Otorrinolaringologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, Dr. Augusto Boechat, há uma crença comum de que o contato da água com o ouvido causa inflamação,mas o processo é mais complexo. “Na verdade, não é a água entrar que faz inflamar, e sim como ela entra”, esclarece.
O médico explica que movimentos bruscos e impactos repetidos são os grandes responsáveis por irritações no canal auditivo e no tímpano. “As crianças brincam na água, batem a cabeça e, portanto, a orelha na água com força. Mergulham repetidamente, furam onda. São consecutivos traumas. A água entra forte e bate no tímpano com força, e isso é o que causa a inflamação”, detalha o professor.
Esse tipo de impacto pode irritar a pele sensível do canal auditivo, facilitar a entrada de microrganismos e, consequentemente, aumentar o risco de otite externa, especialmente quando o ouvido permanece úmido por muito tempo. Por isso, o professor reforça que os cuidados devem ir além de apenas tentar secar o ouvido.
“O acúmulo de água costuma sair naturalmente, mas é fundamental agir com cuidado para não piorar o quadro. Quando se tem a sensação de água no ouvido, já é devido ao início da inflamação, o edema inicial do processo”.
Ele também alerta contra o uso de objetos para tentar remover a água. Segundo ele, o erro mais frequente é usar cotonetes ou pontas de toalha. Isso empurra a água ainda mais para dentro e pode traumatizar a pele do conduto auditivo e do tímpano. Nesse sentido, caso o incômodo persista por mais de uma hora, ou se houver dor e secreção, o ideal é procurar a emergência e um otorrinolaringologista.
Abaixo, o professor de Otorrinolaringologia Augusto Boechat dá 4 dicas de como lidar com a água no ouvido. Confira!
Posicionar a cabeça de lado e puxar delicadamente a orelha pode facilitar a saída da água. Pequenos saltos no mesmo lugar também ajudam.
Cotonetes, grampos ou toalhas podem machucar e empurrar a água ainda mais para dentro, agravando o quadro.
Use uma toalha apenas na área externa da orelha. O canal interno deve secar naturalmente, sem intervenções.
O especialista recomenda tampões específicos para natação. Após o banho de mar ou piscina, inclinar a cabeça para ambos os lados ajuda a eliminar a água residual, especialmente útil para crianças que mergulham repetidamente.
O professor Augusto Boechat reforça que, com os cuidados corretos, é possível prevenir inflamações e desconfortos. “O importante é evitar impactos excessivos no ouvido, nunca usar objetos no canal auditivo e sempre buscar orientação médica quando os sintomas persistirem”, conclui o médico.
Por Beatriz Felicio
Fonte: Portal EdiCase
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