A certidão de óbito da estilista Zuzu Angel, morta em um suposto acidente de carro em 1976 durante a ditadura militar, no Rio de Janeiro, foi retificada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e entregue aos familiares nesta quinta-feira, 28.
A entrega das certidões foi realizada pelo ministério, por meio da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, e segue nova resolução aprovada em dezembro de 2024 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre mortes de dissidentes políticos durante a ditadura.
Na certidão de óbito de Zuzu, onde se lia apenas “causa mortis: fratura de crâneo (sic) com hemorragia subdural e laceração cortical”, passou a constar “causa mortis: em razão de morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição sistemática e generalizada à população identificada como opositora política ao regime ditatorial de 1964 a 1985”. Essa mesma explicação consta como causa mortis de Stuart, filho dela, no documento que oficializa sua morte.
A entrega foi feita aos familiares de Zuzu, durante cerimônia na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta quinta-feira. A ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo, que participou remotamente do evento, afirmou que a medida representa um marco na reparação histórica e no reconhecimento oficial dos crimes cometidos pelo Estado durante a ditadura.
“A anotação da causa de morte, o assento de óbito de pessoas mortas em decorrência de graves violações de direitos humanos de forma violenta, não natural e causada pelo Estado brasileiro é uma resposta do próprio Estado brasileiro democrático ao Estado brasileiro opressor. É uma resposta que diz que a dignidade humana está acima da barbárie e nós não nos afastaremos da luta por memória. Pois um amanhã mais justo depende do presente, depende da memória, depende das lutas coletivas”, afirmou a ministra.
Quem é Zuzu Angel?
Zuleika Angel Jones foi uma das mais importantes personalidades do mundo da moda brasileira. Nasceu em Minas Gerais, na pequena cidade de Curvelo, no dia 5 de junho de 1921. O trabalho dela como estilista foi reconhecido internacionalmente. Mas ganhou notoriedade por ser mãe do militante político Stuart Angel Jones, assassinado durante o período da repressão militar.
Começou a costurar, criando modelos e fazendo roupas para as primas. Em 1947, decidiu morar no Rio de Janeiro, onde na década de 1950 começou a trabalhar como costureira. Nos anos 1970, após muitos anos de trabalho, abriu uma loja de roupas em Ipanema.
Em pouco tempo, teve a oportunidade de expandir seus negócios e logo passou a realizar desfiles de moda nos EUA. Nessa época, conheceu o americano Norman Jones, com quem iniciou um relacionamento. Após alguns anos juntos, voltaram para o Rio de Janeiro e se casaram. No Brasil, Zuzu engravidou de seu primogênito. Em Salvador, Bahia, nasceu Stuart Edgar.
No final dos anos 1960, Stuart Angel Jones passou a integrar o MR8, organização clandestina que combatia a ditadura militar instalada no País desde 1964. Preso no dia 14 de abril de 1971, ele foi torturado e morto pelo serviço de inteligência da Aeronáutica e depois dado como desaparecido pelas autoridades.
A partir daí, Zuzu passou a enfrentar o regime, lutando pelo direito de recuperar o corpo do filho, nunca encontrado. A busca por explicações e pelos culpados só terminou com sua morte, na madrugada do dia 14 de abril de 1976, num acidente de carro, na Estrada da Gávea, à saída do túnel “Dois Irmãos”. Hoje, como homenagem e reconhecimento pela sua luta, o túnel foi batizado com seu nome.
Dias antes do acidente, Zuzu deixara na casa de Chico Buarque de Holanda um documento que deveria ser publicado caso algo lhe acontecesse. Escreveu: “Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho”. Em 1993, sua filha caçula, a jornalista Hildegard Angel, criou o Instituto Zuzu Angel de Moda do Rio de Janeiro, em memória da mãe.
Por: Estadão Conteúdo
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