Caso de empresário morto em Interlagos completa 1 mês: ‘Desespero, precisamos dos culpados’


“Um mês sem respostas, a família em desespero e os autores do crime, impunes. Precisamos dos culpados.” O desabafo é da farmacêutica Fernanda Dândalo, esposa de Adalberto Amarilio dos Santos Júnior, encontrado morto em um buraco no Autódromo de Interlagos, na zona sul de São Paulo.

Após um mês de investigação, a polícia ainda não sabe quem matou o empresário. Nenhum suspeito foi identificado ou preso. A Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) informou que não há novidades sobre o caso e que as investigações prosseguem sob sigilo.

Rompendo o silêncio que vinha mantendo sobre a morte do marido, Fernanda diz ao Estadão que os dias têm sido difíceis para a família – ela, sua família, os pais de Adalberto e outros familiares.

“Nossa vida tem sido um inferno. Não temos informações sobre a investigação. Um mês sem nenhuma resposta. Estamos todos péssimos porque o caso não se encerra. Não se têm os culpados. Precisamos dos culpados”, diz.

O empresário desapareceu no dia 30 de maio, depois de ir a um encontro de motos no autódromo. Já era noite quando ele se despediu dos amigos, disse que iria para casa e se dirigiu ao local onde seu carro estava estacionado. Ele não chegou em casa e não foi mais visto. O corpo foi encontrado três dias depois no interior do buraco pelo funcionário da obra. O caso é investigado como assassinato.

Fernanda conta que a família contratou um advogado para acompanhar o caso, mas ele sempre informa que não há novidades na investigação. “O local é tão inseguro que não conseguimos descobrir um crime dentro de um autódromo? Está tudo muito lento. Para quem eu vou apelar? Nos sentimos impotentes. Por favor, nos ajude a cobrar uma resposta”, pede à reportagem.

Quais as linhas da investigação?

Imagens de câmeras de segurança do autódromo mostram o empresário caminhando em direção ao local onde o carro estava estacionado. No entanto, não há imagens do trecho percorrido por ele até o momento em que teria sido abordado. A polícia afirma que Adalberto teria que dar uma volta para chegar ao estacionamento, mas pode ter cortado caminho por um local não coberto pelas câmeras.

O corpo foi achado em um buraco de 3 metros de profundidade por 45 centímetros de diâmetro na parte mais estreita. Adalberto vestia blusa e capacete, mas estava sem as calças e os tênis, o que indica que pode ter lutado com possíveis agressores.

Morte por asfixia – o que se sabe até agora?

Os laudos apontam morte violenta por asfixia. Como a carteira, o celular e o carro não foram levados, a polícia descarta a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte). A investigação já ouviu testemunhas, entre elas os amigos que estavam com ele na festa, e parte dos seguranças que trabalhavam no evento.

As análises da perícia, entretanto, não ajudaram no esclarecimento do caso. Um deles indicou que Adalberto não tinha consumido álcool ou drogas. Outro apontou que marcas de sangue achadas no carro eram antigas e não tinham relação com sua morte. A polícia elaborou mapa e croquis dos percursos possíveis feitos pelo empresário na tentativa de apurar o local da abordagem.

Ainda não há informações sobre o laudo do material recolhido debaixo das unhas do empresário. Os resíduos podem indicar se ele lutou contra alguém e possibilitar o exame de DNA de um suposto agressor.

Adalberto tinha 35 anos, era casado com Fernanda e dono de uma rede de óticas. O crime está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) da capital paulista.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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