A reentrada do foguete chinês CZ-5B tinha 1,86% de chances de ocorrer sobre o Brasil de acordo com cálculo feito pela BRAMON a partir da última previsão de reentrada divulgada na quarta-feira, 05. Segundo os cálculos de Joseph Remis, o foguete deveria reentrar por volta das 02h17 deste domingo, 09.

Mas como a previsão é feita com muita antecedência, tinha uma margem de erro de mais ou menos 21 horas e, dentro dessa margem, o objeto faria 9 passagens sobre o Brasil.

Novos cálculos divulgados na manhã desta quinta-feira, 06, indicam que a reentrada deve ocorrer um pouco mais cedo, à 00h06 de domingo, 09, mas com uma margem de erro de 21 horas, o que acrescenta uma passagem a mais sobre a região sul do Brasil e eleva a possibilidade de reentrada sobre o país para 1,92%.

Vale a pena reforçar que, durante o processo de reentrada, grande parte do foguete deve ser consumido pela atmosfera, restando apenas algumas partes mais resistentes e menores, como os tanques de combustíveis, que caem em velocidade bastante reduzida. A chance de que caiam em área habitada e possam causar algum tipo de dano em solo é muito pequena, embora não possa ser desprezada.

Segundo o site SpaceNews, esta será uma das maiores reentradas descontroladas de uma espaçonave, e os destroços têm o potencial de atingir uma área habitada.

A inclinação orbital de 41,5 graus significa que o primeiro estágio passa um pouco mais ao norte de Nova York, Madri e Beijing, e mais ao sul da região sul do Chile e de Wellington, na Nova Zelândia. A reentrada pode ocorrer em qualquer local nesta área, que inclui também o Brasil. Considerando que 70% da superfície de nosso planeta é coberta por oceanos, é provável que o primeiro estágio do Longa Marcha 5B atinja um deles.

Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin, disse durante uma coletiva nesta sexta-feira, 07, que a probabilidade de danos pela reentrada de seu foguete descontrolado na atmosfera da Terra é "extremamente baixa".

“Pelo que eu sei, esse tipo de foguete adota um desenho técnico especial, a maioria dos componentes será destruída no processo de reentrada e a probabilidade de causar danos às atividades de aviação e ao solo é extremamente baixa”.