Reuters - A Polícia Federal encontrou dinheiro na cueca de um dos vice-líderes do governo do presidente Jair Bolsonaro no Senado, Chico Rodrigues (DEM-RR), informou à Reuters uma fonte com conhecimento do caso na quarta-feira, em uma operação de combate a desvio de recursos para enfrentamento da Covid-19 em Roraima.

Durante busca e apreensão feita na casa do parlamentar em Boa Vista, capital do Estado, recursos foram encontrados nas nádegas de Chico Rodrigues por policiais que realizaram a diligência, conforme essa fonte.

A operação foi requerida pela subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo e autorizada pelo Supremo Tribunal Federal - STF, tendo a diligência sido informada ao gabinete do ministro Luís Roberto Barroso, responsável por autorizar a ação, segundo fontes.

A Polícia Federal não quis comentar detalhes da diligência por ter sido realizada em segredo de Justiça.

Em nota divulgada na quarta, a PF informou que a corporação e a Controladoria-Geral da União haviam deflagrado a “Operação Desvid-19” com o objetivo de desarticular possível esquema criminoso voltado ao desvio de recursos públicos, oriundos de emendas parlamentares. Segundo a corporação, os valores eram destinados ao combate à pandemia do Covid-19, no âmbito da Secretaria de Estado de Saúde de Roraima.

A nota disse ainda que policiais federais foram às ruas cumprir sete mandados de busca e apreensão em Boa Vista por ordem do Supremo.

Em um vídeo antigo, que voltou a circular nas redes sociais após a operação, Bolsonaro diz ter “quase uma união estável” com o senador Chico Rodrigues, que, em réplica fala em “resgate da moralidade” com o chefe do Executivo.

Chico Rodrigues foi eleito para uma das duas vagas do Senado em 2018, na esteira da renovação política, derrotando um dos mais experientes parlamentares do Congresso, Romero Jucá, então candidato à reeleição e à época presidente do MDB. Jucá era um dos principais alvos da Operação Lava Jato.

O atual senador, de 69 anos, já foi vice-governador e governador por mandato tampão, além de deputado federal e vereador.

Em nota, o senador disse acreditar na Justiça, afirmou que a PF cumpriu “cumpriu sua parte em fazer buscas em uma investigação na qual meu nome foi citado”, mas disse que teve seu “lar invadido por apenas ter feito meu trabalho como parlamentar, trazendo recursos para o combate ao Covid-19 para a saúde do Estado”.

“Digo a quem me conhece que, fiquem tranquilos. Confio na justiça, vou provar que não tenho, nem tive nada a ver com qualquer ato ilícito. Não sou executivo, portanto, não sou ordenador de despesas, e como legislativo sigo fazendo minha parte trazendo recursos para que Roraima se desenvolva. Que a justiça seja feita e que se houver algum culpado que seja punido nos rigores de lei”, afirmou o senador na nota.