A Auren Energia registrou um lucro líquido de R$ 54 milhões no primeiro trimestre deste ano, queda de 64,3% frente igual etapa do ano passado, considerando dados pró-forma, que levam em conta as operações combinadas com a AES Brasil, cuja aquisição foi concluída no fim de outubro do ano passado.
A piora no resultado líquido reflete o aumento de 106% no resultado financeiro líquido, que alcançou R$ 732,1 milhões, em decorrência de um aumento de 73,5% nas despesas, para mais de R$ 1 bilhão. Também pesou o aumento de 32,5% na depreciação e amortização, para R$ 458,2 milhões, em decorrência de “mais-valias originadas nas aquisições da AES Brasil e da Esfera”, explicou a empresa, que também cita a maior despesa com Imposto de Renda e Contribuição Social (IR/CS), que somou R$ 205,4 milhões, com alta de 35,9%.
A queda no lucro contraria a melhora operacional observada por meio do lucro líquido antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda), que aumentou 46,6%, para R$ 1,37 bilhão. Pelo critério ajustado, o aumento foi ainda mais expressivo, de 65,7%, para R$ 1,2 bilhão. Já a margem Ebitda ajustado avançou 7,9 pontos porcentuais, para 40,8%.
Para o presidente da Auren, Fabio Zanfelice, o desempenho do Ebitda mostra um pouco das oportunidades que a companhia deve capturar com a aquisição da AES. “Num curto espaço de tempo – são cinco meses após a conclusão da transação – já temos R$ 1,2 bilhão de Ebitda, um aumento de 66%; é de fato muito forte”, disse ao Broadcast.
O executivo destacou ainda que a captura de sinergias, que representaram R$ 56 milhões no trimestre, e o aumento da disponibilidade dos ativos incorporados, para 92%, 1,6 p.p. ante o primeiro trimestre de 2024.
Na linha da receita, a Auren registrou um montante líquido de R$ 2,952 bilhões, alta de 33,6% na comparação anual. O desempenho refletiu a entrada em operação de novos projetos (Jaíba, Tucano e Cajuína), o aumento dos volumes comercializados, e pelos maiores preços médios de venda.
Vale salientar que no primeiro trimestre o segmento de comercialização respondeu por uma receita maior que a de geração, revertendo o observado um ano antes. As operações de compra e venda de energia geraram uma receita de R$ 1,78 bilhão, montante 48,3% maior que o verificado um ano antes. Já o negócio de geração obteve receita de R$ 1,62 bilhão, alta de 22%.
A produção de energia dos ativos próprios no trimestre foi de 3,8 gigawatts médios (GWmed),30,8% superior ao mesmo período de 2024. Enquanto as hidrelétricas da companhia geraram 2,5 GW médios, 24,2% acima da garantia física e 23,2% superior ao mesmo período de 2024, as eólicas geraram 995 MW médios, 41,3% superior ao mesmo período de 2024 e equivalente a 100,8% da certificação de geração no percentil 90 (P90).
Endividamento
Diante da maior geração de caixa, a companhia deu início ao processo de desalavancagem. A Auren encerrou março com uma relação dívida líquida/Ebitda ajustado de 5,0 vezes, 0,7 vez inferior em relação ano anotado em dezembro.
Já no início de abril, a companhia anunciou o pré-pagamento de parte do financiamento de R$ 5,4 bilhões acertado para efetivar a aquisição da AES. Com isso, a dívida bruta recuou a R$ 24,8 bilhões, ante R$ 27 bilhões em dezembro de 2024.
Conforme destacou o vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores da Auren, Mateus Ferreira, o pré-pagamento também foi possível a partir de uma emissão de debêntures incentivadas de R$ 2 bilhões, com custo de CDI-0,50% ao ano, com prazo de dez anos.
“A gente pré-pagou 60% do financiamento que tomamos em outubro para financiar a aquisição, e que tinha vencimento de 2028, isso mostra nosso comprometimento com a desalavancagem e nosso comprometimento com manter o custo de captação da companhia em níveis competitivos”, disse.
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