A maioria dos países não tem preparo para enfrentar o aumento de doenças neurológicas, diz OMS


Menos de 1 em cada 3 países tem preparo para enfrentar o crescimento de doenças neurológicas, de acordo com o relatório Global status report on neurology, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta terça-feira, 14. As doenças do tipo são responsáveis por mais de 11 milhões de mortes por ano e afetam mais de 40% da população mundial.

Segundo a OMS, as 10 principais condições neurológicas que mais têm contribuído para mortes e incapacidades são: acidente vascular cerebral (AVC), encefalopatia neonatal, enxaqueca, doença de Alzheimer e outras demências, neuropatia diabética, meningite, epilepsia idiopática, complicações neurológicas associadas ao parto prematuro, transtornos do espectro autista e cânceres do sistema nervoso.

“Nós estamos vendo uma epidemia neurológica. Muitas das principais doenças e condições patológicas são associadas a questões neurológicas, desde as coisas mais simples, como dores de cabeça e tonturas, até doenças cerebrovasculares, como AVCs, e doenças demenciais, como Alzheimer”, destaca Diogo Haddad, neurologista do Hospital Nove de Julho e coordenador do núcleo de Memória do laboratório Alta Diagnósticos.

O levantamento, no entanto, mostra que os serviços de atendimento são inacessíveis para a maioria das pessoas. Apenas 49 países dos 194 Estados-membros (25%) incluem distúrbios neurológicos nos pacotes de cobertura universal de saúde.

A pesquisa também aponta que países de baixa renda têm mais de 82 vezes menos neurologistas do que as nações de alta renda. Além disso, muitos países de baixa e média renda carecem de planos nacionais e orçamentos adequados para atender às necessidades da população. Por conta disso, a OMS pede uma ação global para ampliar o cuidado neurológico.

Necessidade de cuidado

Outro ponto de destaque é o cuidado. As condições neurológicas exigem suporte ao longo da vida. Apesar disso, apenas 46 países oferecem programas de apoio para cuidadores e só 44 têm proteção legal para eles. De acordo com a organização, isso faz com que cuidadores informais – na maioria das vezes mulheres – permaneçam sem apoio e reconhecimento.

“Com mais de uma em cada três pessoas no mundo vivendo com condições que afetam o cérebro, precisamos fazer tudo o que for possível para melhorar o acesso aos cuidados necessários”, destaca Jeremy Farrar, diretor-geral assistente da OMS para Promoção da Saúde e Prevenção e Controle de Doenças, em comunicado à imprensa.

“Muitas dessas condições neurológicas podem ser prevenidas ou tratadas de forma eficaz, mas os serviços ainda estão fora do alcance da maioria, especialmente em áreas rurais e carentes, onde as pessoas enfrentam estigma, exclusão social e dificuldades financeiras. Devemos trabalhar juntos para colocar os pacientes e suas famílias em primeiro lugar e garantir que a saúde cerebral seja uma prioridade com investimento adequado”, adiciona.

O relatório cita o Brasil como um exemplo positivo de política integrada. Apesar disso, Haddad cita que a falta de profissionais qualificados e centros voltados para a neurologia são situações presentes no País. “O aumento das doenças vem acompanhado do aumento do diagnóstico e a gente precisa tratá-las. Então, necessitamos de mais envolvimento, mais pesquisa, desenvolvimento e investimento em neurologia.”

Políticas sólidas

Diante dos resultados, a OMS reforça que, sem políticas sólidas, os sistemas de saúde permanecem fragmentados, com poucos recursos e mal preparados para atender pacientes e famílias.

Além da adoção de políticas robustas, a agência recomenda que os países aprimorem a coleta de dados sobre os distúrbios neurológicos – no estudo, apenas 53% dos Estados contribuíram com informações. A ausência desses dados, segundo a organização, dificulta a formulação de políticas eficazes e compromete a tomada de decisões baseadas em evidências.

A organização ainda pede a ampliação do acesso ao cuidado neurológico por meio da cobertura universal de saúde e do fortalecimento dos sistemas de atendimento, além da promoção da saúde cerebral ao longo da vida com ações intersetoriais voltadas a fatores de risco e proteção.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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