O atleta paralímpico de judô Luiz Fernando Liberato Felipe, de 19 anos, vivenciou uma situação de perigo e prejuízo material enquanto se deslocava para a Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia. Durante a travessia de uma via, o jovem, que possui deficiência visual, teve sua bengala de locomoção atingida e destruída por um veículo. Segundo o relato do atleta, o condutor do automóvel desrespeitou a sinalização de parada obrigatória, passando por cima do equipamento essencial para sua autonomia e segurança.
O incidente, ocorrido na última terça-feira (2), deixou a bengala inutilizada, evidenciando a vulnerabilidade enfrentada por pessoas com deficiência visual no trânsito urbano. Luiz Fernando utilizou suas redes sociais para compartilhar o ocorrido, buscando conscientizar motoristas sobre a necessidade de atenção redobrada ao circular pelas vias da capital goiana, onde a presença de pedestres com deficiência exige cautela redobrada.
A importância da bengala na autonomia do deficiente visual
Para quem possui deficiência visual, a bengala transcende a função de um simples objeto de apoio. Conforme explica Francisco Romeiro, presidente da Associação dos Deficientes Visuais do Estado de Goiás (ADVEG), o equipamento atua como uma extensão dos sentidos do usuário. Ele permite que a pessoa identifique o tipo de piso, localize obstáculos físicos e perceba desníveis no terreno antes que ocorra um impacto direto com o corpo.
Quando esse recurso é danificado ou destruído, o indivíduo perde sua principal ferramenta de orientação, resultando em insegurança e na interrupção forçada de sua mobilidade. Além do transtorno imediato, a reposição do equipamento representa um custo financeiro relevante, com valor médio de mercado em torno de R$ 200, o que impacta diretamente o orçamento de famílias de baixa renda que dependem do item para o cotidiano.
Desafios estruturais e barreiras nas calçadas de Goiânia
A insegurança no deslocamento não se restringe apenas ao comportamento dos motoristas, mas também é agravada por falhas na infraestrutura urbana. Em Goiânia, pedestres cegos ou com baixa visão enfrentam diariamente calçadas irregulares, buracos, ausência de piso tátil e bocas de lobo sem a devida proteção. Esses obstáculos forçam o pedestre a desviar de sua rota original, muitas vezes sendo obrigado a transitar pela rua, onde o risco de atropelamento é significativamente maior.
A ocupação irregular das calçadas por mesas de bares, bancos, placas publicitárias e veículos estacionados indevidamente compõe um cenário de exclusão. A acessibilidade urbana é um direito garantido por lei, mas a prática demonstra que a fiscalização e a manutenção de espaços públicos ainda são insuficientes para garantir o direito de ir e vir com segurança.
Necessidade de melhorias na sinalização sonora e fiscalização
O representante da ADVEG enfatiza que a implementação de medidas técnicas, como a manutenção constante de semáforos sonoros, é urgente. Embora existam botoeiras sonoras em pontos específicos, como no Centro de Goiânia, muitos desses dispositivos apresentam falhas técnicas, tornando a travessia um momento de incerteza. A possibilidade de conversão de veículos à direita, mesmo com o semáforo fechado, é outro fator de risco apontado como crítico para a segurança dos pedestres.
A responsabilidade pela segurança no trânsito é compartilhada, mas cabe aos condutores a maior parcela de cautela ao se aproximarem de cruzamentos, faixas de pedestres e saídas de estacionamentos. A redução da velocidade e a observação atenta ao redor são práticas fundamentais para evitar acidentes que, além de danificar equipamentos de auxílio, podem resultar em lesões físicas graves para pessoas com deficiência visual.



