Tifanny critica nova regra da CBV e classifica veto a atletas trans como retrocesso

4 Min de leitura

A oposta Tifanny, atleta do Osasco São Cristóvão Saúde, manifestou-se publicamente sobre a nova política de elegibilidade estabelecida pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). A jogadora, que se tornou a primeira mulher transgênero a atuar na Superliga, classificou a decisão da entidade como um retrocesso significativo para a inclusão no esporte nacional.

A nova determinação da CBV restringe a participação em competições femininas apenas a atletas designadas com o sexo biológico feminino ao nascer. A medida, que altera critérios anteriormente baseados nos níveis de testosterona, exige agora a apresentação de resultados negativos para o gene SRY, alinhando-se a diretrizes que a confederação afirma seguir do Comitê Olímpico Internacional e da Federação Internacional de Voleibol.

Impactos da nova política de elegibilidade no voleibol

Em pronunciamento oficial, Tifanny destacou que a mudança não impacta apenas sua carreira individual, mas também a estrutura de clubes, patrocinadores e o direito de representatividade da comunidade trans. A atleta, que atua no voleibol feminino desde 2017 e conquistou a Superliga em 2025, comparou a exigência atual a métodos de verificação de gênero utilizados em décadas passadas, considerando a medida vexatória.

A jogadora reforçou que pretende buscar medidas legais para contestar a decisão. Segundo ela, o objetivo é garantir que a luta pela visibilidade e pela prática esportiva inclusiva não seja interrompida por novas normas regulatórias. A oposta enfatizou que não pretende se calar diante do que considera uma exclusão direta de sua profissão e de seu amor pelo esporte.

Contexto da estreia no Campeonato Paulista

O posicionamento de Tifanny ocorreu logo após a estreia do Osasco no Campeonato Paulista, realizada no Ginásio José Liberatti. Apesar da atuação destacada da oposta, que marcou 19 pontos na partida, a equipe da casa foi superada pelo Pinheiros por 3 sets a 2, em um confronto que durou pouco mais de duas horas.

A presença de Tifanny em quadra foi possível devido à posição da Federação Paulista de Volleyball (FPV), que optou por manter o regulamento vigente no início do torneio. A entidade informou que eventuais ajustes para futuras competições serão realizados apenas após uma análise técnica detalhada de suas áreas jurídica e de saúde, garantindo a continuidade do certame estadual conforme planejado.

Mudanças nas diretrizes da Confederação Brasileira de Voleibol

A nova política da CBV, anunciada na última sexta-feira (14), marca uma mudança drástica em relação ao modelo anterior. Anteriormente, atletas trans podiam competir desde que mantivessem os níveis de testosterona sérica abaixo de um limite específico estabelecido pelas autoridades esportivas. Com a nova regra, a exigência do teste genético torna-se o critério determinante para a elegibilidade.

As normas já estão em vigor para as próximas edições da Superliga, em suas duas divisões, e da Supercopa. Além disso, a determinação abrange a Copa Brasil e o Circuito Brasileiro de vôlei de praia para o ano de 2027. Para mais detalhes sobre as diretrizes esportivas, consulte o portal oficial da Confederação Brasileira de Voleibol.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhar