6 mitos e verdades sobre a doação de órgãos



A campanha Setembro Verde é um chamado à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos. No Brasil, milhares de pessoas vivem à espera de um transplante, enquanto o número de procedimentos realizados ainda fica muito aquém da necessidade. Segundo dados do Ministério da Saúde (MS), 78 mil pessoas aguardam por doação de órgãos, mas em 2024 apenas 30 mil procedimentos foram realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Um dos fatores que explica essa disparidade é a desinformação, responsável por gerar dúvidas, mitos e receios. “A doação de órgãos é um ato de solidariedade que pode transformar vidas. Para que essa cultura se fortaleça, é fundamental que cada pessoa converse com sua família sobre a decisão de se tornar doador”, explica o Dr. Lucas Nacif, cirurgião gastrointestinal e membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).

A seguir, ele esclarece os principais mitos sobre a doação de órgãos. Confira!

1. Existe privilégio na fila de transplantes

Mito. O Sistema Nacional de Transplantes (SNT) mantém uma lista única e transparente para todos os pacientes brasileiros, independentemente de estarem em hospitais públicos ou privados. “Muitas pessoas acreditam que existe algum tipo de privilégio nos transplantes, mas a realidade é completamente diferente. A lista única nacional é um dos sistemas mais justos que temos na medicina brasileira”, explica o Dr. Lucas Nacif.

2. A fila de transplantes segue apenas ordem cronológica

Mito. Segundo o especialista, a prioridade considera múltiplos fatores além da ordem de inscrição. “Pacientes em estado mais grave podem subir na lista, assim como aqueles com maior compatibilidade com o órgão disponível. O sistema também considera a distância entre doador e receptor, já que alguns órgãos, como o coração, têm poucas horas de viabilidade fora do corpo”, explica.

3. Idade avançada ou histórico de vícios impedem automaticamente a doação

Mito. Estes fatores podem ser limitadores, mas não impedem automaticamente a doação. “Fatores como idade avançada, histórico de tabagismo, uso de drogas ou consumo excessivo de álcool podem ser limitadores, mas não impedem automaticamente a doação. A decisão final sempre cabe à equipe médica especializada”, explica o cirurgião gastrointestinal.

É fundamental comunicar à família o desejo de doar órgãos (Imagem: FellowNeko | Shutterstock)

4. A família é quem autoriza a doação

Verdade. Mesmo que você tenha o desejo de ser doador, é fundamental comunicar essa decisão à sua família, pois ela é quem autoriza o procedimento no momento do falecimento.”A necessidade de diálogo sobre doação de órgãos nunca foi tão evidente”, afirma o Dr. Lucas Nacif.

5. Um único doador pode salvar até 10 vidas

Verdade. Após morte encefálica, é possível doar coração, fígado, rins, pâncreas, pulmões, intestino, córneas e tecidos. Também existe a doação em vida para órgãos duplos como rins, parte do fígado e medula óssea.

6. Todo doador passa por avaliação criteriosa

Verdade. Tanto doadores em vida quanto após morte encefálica passam por rigorosa avaliação médica. “Todo doador em vida passa por uma avaliação completa para garantir que a doação será segura tanto para ele quanto para o receptor. No caso da doação após morte encefálica, a avaliação é feita por equipes especializadas, considerando diversos critérios técnicos”, finaliza o Dr. Lucas Nacif.

Por Ludmila Baldoni





Fonte: Portal EdiCase

Redação EdiCase

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