O ex-governador de Goiás e ex-senador Marconi Perillo foi eleito nesta quinta-feira, 30, o novo presidente do PSDB para um mandato de dois anos. Ele substituirá o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que decidiu não permanecer mais à frente do partido.

A decisão foi tomada pelo novo diretório, eleito por votação de delegados e parlamentares da sigla durante convenção partidária, e em meio a uma divisão dos tucanos.

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A eleição de Perillo foi fruto da costura de uma ala da legenda, que chegou a enfrentar uma disputa com o ex-senador José Aníbal (SP). Aníbal anunciou que disputaria contra Perillo, mas, de última hora, retirou a candidatura, e o ex-governador acabou eleito por aclamação.

O processo de troca do comando do partido teve forte influência do deputado Aécio Neves (MG). A indicação de Perillo para comandar o PSDB foi uma indicação do parlamentar. A nova executiva, inclusive, terá a participação de Aécio e a maioria dos membros ligados a ele.

Leite, que também fará parte do novo comando, tentou articular a candidatura do ex-senador Tasso Jereissati (CE), mas não conseguiu após Aécio vetar essa hipótese, por se tratar de um desafeto.

No lugar, o governador gaúcho deixou o caminho livre para que Aníbal disputasse contra o nome apoiado pelo deputado mineiro, mas não conseguiu encontrar consenso. Leite tentou articular um adversário a Perillo por preferir um nome mais ligado a ele no comando do partido. Aécio, porém, conseguiu montar uma chapa mais robusta e acabou fortalecido.

A disputa no partido ocorreu depois de Leite indicar que não queria mais comandar a legenda diante de dificuldade de conciliar tarefas, principalmente diante das demandas do governo do estado, que acumula uma série de tragédias causadas pelas chuvas.

Entre outras afirmações, o novo presidente dos tucanos afirmou ainda que vai se dedicar a articular candidaturas às eleições municipais de 2024 e que quer tornar o PSDB um partido mais "jovem" e "digital".

Alvo de uma operação que investigava pagamento de propina em campanhas eleitorais. Em outubro de 2018, Perillo, novo presidente do PSDB, chegou a ser preso por um dia. Quatro anos depois, em 2022, o STF (Supremo Tribunal Federal) anulou a operação por considerar que a competência não era da Justiça Federal, mas da Justiça Eleitoral.

Aécio, ex-presidente da sigla, foi alvo de acusação de corrupção no caso JBS, mas acabou sendo absolvido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região. O mineiro tem pretensões políticas e busca articular sua candidatura ao Governo de Minas Gerais em 2026. Nesta quinta, Aécio disse não querer "colocar o carro na frente dos bois".