280 crianças das escolas municipais de Goianésia participam do Projeto Dança para Todos, que abre portas para meninos e meninas de 6 a 9 anos e tem um de seus destaques o bailarino Vinícius, de 11 anos, exibido em rede nacional, no mês passado, no Programa da Eliana, no SBT.

O projeto teve início em 2015, na época, com três escolas - Magnólia Protásio Machado, Antônio Fernandes e João Manoel da Silva - e, hoje, atende a 10 unidades, ampliada ao longo desse tempo a sua finalidade de levar arte e cultura para dentro das escolas, com a difusão da dança clássica e contemporânea, para as crianças que não tinham acesso conhecerem a arte da dança, associada à disciplina, à postura, à ética e à sociabilização.

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Hoje, expandido o projeto ao longo dos anos, são atendidas essas escolas municipais: Antônio Fernandes e Deodato de Oliveira; João Manoel da Silva; Magnólia Protásio Machado; Luiz de Oliveira; Imorvides Naves; Professora Judith Leite; Lauro da Penha; Sr. Eliziário José de Oliveira e Padre Jesus Osés Pagolo; Professor Gessy Justino de Faria; e Sr. Saint-Clair Ottoni da Silva.

“O projeto veio com o intuito de transformar e dar a oportunidade de vida nova para crianças e adolescentes, tanto para meninas quanto para rapazes”, diz a pedagoga Tatiana Márcia, professora de dança há 16 anos, idealizadora e coordenadora do Dança na Secretaria Municipal de Educação.

Pelo Dança para Todos, são oferecidas aulas, teóricas e práticas, no contraturno, para alunos do ensino regular, e aulas somente no período vespertino, para crianças matriculadas nas escolas de tempo integral.

A prefeitura oferece todo o suporte para o êxito da ação, inclusive o uniforme completo –– para as meninas, meia-calça, sapatilha, colam, saiote e acessórios de cabelo; e, para os rapazes, sapatilha, bermuda e regata.

“É um trabalho muito bonito, feito com muito carinho. Esse ano a gente fez um uniforme maravilhoso, são 300 uniformes, que serão entregues agora no meio do ano. Eles ficarão encantados, as crianças e os seus pais”, prevê Tatiana Márcia.

“Cada vez que passa, a gente vai vendo o que deu certo, o que pode ser melhorado, e o investimento acontece, para o sucesso do projeto aqui em Goianésia”, continua.

A professora do Dança para Todos considera Goianésia uma cidade contemplada, graças ao apoio da secretária municipal de Educação, Elisandra Carla Menezes, que acredita no sucesso do projeto, e ao prefeito Leonardo Menezes, que garante sejam feitos os investimentos.

“A difusão da arte e da cultura, em nosso País, é muito pouca. E desenvolver dentro das escolas projetos como o Dança para Todos, no Brasil, é Goianésia”, constata Tatiana, que faz aulas de dança desde os três anos e tem autoridade para falar da importância da prática para a formação da pessoa, dizendo já ter recebido manifestações de empresas interessadas em conhecer mais o projeto e levar a ideia para outros lugares, mas sem ação efetiva.

“Já teve esse interesse, a partir do nosso projeto, mas o que a gente vê que agarrou, que acreditou e que deu continuidade é Goianésia. Tanto que um de nossos destaques nacionais, o Vinícius, foi encontrado dentro do Dança para Todos. É um projeto que abriu portas. Hoje, o bailarino Vinícius; amanhã, pode ter uma menina, outros meninos e meninas conseguindo mudar de vida e levar o nome de Goianésia, do nosso Estado e do nosso País para inúmeros lugares”, acredita.

Sem Evasão
Crianças desde o 1º ano até o 4º ingressam no Dança para Todos, pelo qual já passaram, ao longo de oito anos, cerca de mil crianças e cuja evasão é praticamente nula. Quem entra, não quer sair. Mas, como o projeto caminha junto com a formação dos alunos da Rede Municipal de Ensino, chega o momento da despedida. É quando os alunos concluem o 5º ano e migram para as escolas da Rede Estadual, a partir do 6º ano.

“É o mais dolorido para eles, é quando eles vão para o último ano da escola municipal. É quando eles vão sair da escola municipal e vão para o Estado. Aí, eles agarram com propriedade e vira uma paixão”, diz Tatiana Márcia, que tem a mesma paixão pelo projeto e pelas crianças que o integram. “Até hoje eu os vejo em outros lugares, eles chamam ‘Tia Tati, Tia Tati’. Eles reconhecem o projeto como algo muito importante para a vida deles, isso me deixa muito feliz”.

Recomeço
Tatiana Márcia relata experiências de realidades bem difíceis em muitas unidades, como no primeiro ano de seu projeto, em 2015, na Escola Municipal Magnólia Protásio Machado. Na ocasião, foi avisada que pegaria turmas difíceis e lhe sugeriram trabalhasse com rapazes, que não queriam ficar em sala e davam trabalho durante as aulas.

“Foi muito difícil, para mim, como pedagoga. Mas os momentos difíceis em salas de aula são aqueles onde a gente mais cresce. Se você se der essa oportunidade, para aprender, ver o que pode melhorar quando erra, e buscar esse conhecimento, você tem tudo a transformar aquilo que, às vezes, poderia ser ruim, em algo melhor. Foi o que a gente fez. E a gente mostrou que esses meninos eram capazes, que eles poderiam ser obedientes, que faltava um pouco de atenção, de carinho. E a dança foi isso. Eu fiquei muito feliz quando eu vi que eu consegui ter uma turma disciplinada, que me ouvia, que me respeitava e uma turma que dançava e era destaque. Esse é o retorno para nós, professores”, diz Tatiana Márcia, concluindo que a dança dá um recomeço.

“São crianças de diferentes realidades, principalmente das escolas municipais, desde aquelas que moram com os avós, que não conheceram o pai e a mãe, que o pai está preso, até aquelas amparadas pelo pai e pela mãe, que têm toda uma estrutura familiar, diferentes daquelas que não têm. Então, como eu acolher essa criança? Como eu dar amor para essa criança? Como eu ensinar para ela que o sonho não pode deixar de existir? O ballet proporciona isso, o ballet mostra para a criança a importância de nunca desistir, de você tentar até o fim, de você batalhar por alguma coisa, de você acreditar que é capaz. Mesmo você fazendo isso apenas através de movimentos, mas é uma atividade que nos molda para a vida. A dança prepara você como ser humano para uma sociedade melhor”, encerra.



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