Terminou com placar de 3 x 2 o julgamento na 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal - STF - contra a declaração de parcialidade do ex-juiz Sérgio Moro no processo contra o ex-presidente Lula na Lava Jato que trata do tríplex do Guarujá.

O tema ainda será julgado pelo plenário do STF, assim como o envio dos processos contra o petista para a Justiça Federal do DF.

O ministro Nunes Marques votou contra a suspeição de Moro e formou maioria com os ministros Cármen Lúcia e Edson Fachin. Mas, o julgamento não terminou naquele momento.

Depois do voto dele, o ministro Gilmar Mendes fez um longo discurso e criticou o voto do colega. "Isso não tem a ver com garantismo nem aqui nem no Piauí, ministro Kássio", disse Mendes.

E foi além questionando se alguém compraria um carro do ex-ministro Moro ou do procurador Deltan Dallagnol, sem esquecer de citar combinações das ações contra Lula. "Juiz e promotor combinando ações em nome de uma suposta legalidade", afirmou.

A ministra Cármen Lúcia, que já havia votado a favor de Moro, reapresentou sua posição. "Naquela ocasião fiz constar expressamente que "estou aberta a alterar" meu voto", disse ela.

"Alguns dados novos foram acrescentados, clareando mais o julgamento", continuou. "Como juíza tenho o dever de interpretar segundo a lei e a constituição. Peço vênia (desculpas) aos entendimentos contrários, mas entendo que cabe uso de Habeas Corpus", afirmou.

A ministra Cármen Lúcia mudou o voto e considerou Moro parcial no julgamento de Lula no caso do tríplex. Mas disse que não vale para outros processos julgados por Moro na Lava-Jato. Em reviravolta placar mudou para 3 a 2 contra Moro. "Houve comportamentos inadequados que suscitam, portanto, a parcialidade", concluiu a ministra.