Jeferson foi condenado a 24 anos de prisão - Imagem: Divulgação/Polícia CivilJeferson Barbosa da Silva, de 19 anos, acusado de cometer um latrocínio que vitimou a idosa Adélia Oliveira dos Santos Belotti, de 75 anos, em outubro do ano passado foi condenado a 24 anos de prisão, inicialmente em regime fechado. Dion Elton Pereira Mendanha, acusado de ter vendido o aparelho celular levado durante o latrocínio foi condenado a 18 meses de prisão, também inicialmente em regime fechado. Aos dois foi negado o direito de recorrer em liberdade.

De acordo com as investigações, o aparelho celular foi vendido por R$ 40, dos quais, R$ 20 teriam sido repassados a Jeferson, e o restante ficado com Dion.

A prisão de Jeferson ocorrera no dia 25 de outubro, quatro dias depois do crime. Ao ser preso confessou ser o autor do crime, e segundo ele, estava a procura de um local para subtrair alguns pertences, até que decidiu entrar na residência da vítima. Ao encontrá-la, anunciou o assalto, momento em que ela reagiu. Diante disso, desferiu um soco e a derrubou no chão, passando a pular várias vezes no peito dela até perceber que não reagia. Em seguida, pegou o aparelho celular e se evadiu do local.

Em depoimento perante a autoridade policial relatou que caminhava pelas ruas a procura de um local para cometer um assalto. Em determinado momento chamou na casa da vítima e pediu água. No instante em que ela entrou para buscar, foi atrás e anunciou o assalto. Tendo a vítima reagido, desferiu um soco e com a vítima já caída pegou o aparelho celular e se evadiu do local. Em ato contínuo decidiu se desfazer do aparelho celular subtraído e o entregou ao acusado Dion Elton para que fosse vendido. Por fim, informou que Dion vendeu o aparelho celular pelo valor de R$ 40,00, dos quais ficou com R$ 20,00.

Já em juízo, apesar de ter alterado parcialmente a dinâmica dos fatos, confirmou o cometimento do crime. Relatou que pulou o muro da casa da vítima e de posse de um simulacro de arma de fogo anunciou o assalto. Como a vítima começou a gritar e lhe bater com uma vassoura, decidiu lhe dar uma gravata até perceber que ela havia desfalecido. Após isso, a colocou no chão, pegou o aparelho celular e deixou o local. Por fim, confirmou ter repassado o aparelho celular para que Dion o vendesse, afirmando ter dito a Dion que referido aparelho era “BO-zado”, a fim de indicar que era de origem ilícita.

A defesa dos acusados requereu a absolvição de ambos, alegando que as provas colhidas durante a instrução não são suficientes para fundamentar uma condenação, no entanto, o juiz Decildo Ferreira Lopes acatou o pedido do Ministério Público e condenou Jeferson por latrocínio e Dion por receptação, tendo agravante o fato de a vítima ter mais de 60 anos.

“A culpabilidade, que neste momento se refere ao juízo de reprovação da conduta perpetrada pelo agente, considerando as características do caso concreto, há de ser considerada elevada. Com efeito, o acusado agiu de forma extremamente violenta e cruel, bem como demonstrando total indiferença à vítima, causando várias lesões por quase todo o seu corpo. Além disso, conforme relatado pelo próprio acusado, tinha deixado o presídio local um dia antes dos fatos e, em vez de manter conduta correta, já se envolveu em outro crime de tamanha gravidade”, explicou o juiz ao dar a sentença.

Na época do latrocínio, o delegado que conduziu as investigações, Marco Antônio Maia, havia esclarecido que ao confessar o crime Jeferson havia dito que o dinheiro proveniente da venda do aparelho celular foi usado para comprar cerveja e crack.

Vale ressaltar que, de acordo com a Polícia Civil, quando menor, Jeferson teve passagens na Polícia por diversos atos infracionais (participação em homicídio, roubo, tentativa de latrocínio, furto, tráfico de drogas, dentre outros). No início de julho do ano passado ele chegou a ser alvejado por cinco disparos de arma de fogo no Parque da Lagoa Princesa do Vale. Na ocasião, ele foi alvejado com um disparo no tórax, um no abdômen e três nas costas. Em setembro ele foi preso por receptação de motos, mas foi colocado em liberdade no fim da tarde de quinta-feira, dia 20, e em menos de 24 horas já estava cometendo o latrocínio contra Adélia.