Capítulo
VIII
Carlinhos
foi carregado para o túmulo e só estava esperando o
momento certo de se levantar. A hora já estava passada e todos
estavam achando aqueles acontecimentos muito estranhos.
Quando Rodrigo e os outros colocaram o caixão no chão
para que o coveiro o empurrasse para dentro, Carlinhos deu um murro
na tampa do caixão, os quatros olharam um para o outro e saíram
correndo.
_Eu escutei um barulho dentro do caixão – Disse Rodrigo.
_Vocês estão doidos? – Interrogou Dona Raimunda.
_Acho que ele não quer ser enterrado – Cochichavam as
pessoas.
Estava começando ali um grande bafafá. Ninguém
entendia nada do que estava acontecendo.
De repente, como um triste lamento e pedido, veio uma voz:
_Por favor, não mim enterrem...
Ao ouvir este grito, as pessoas começaram a ficar nervosas.
Algumas até choravam apreensivas, mas ninguém tinha
coragem de chegar perto do caixão.
A esta altura, o coveiro já estava muito longe, pois o medo
tomava conta de todos. Os homens que se encontravam ali no cemitério
pareciam mais umas “mocinhas” amedrontadas, aliás,
ninguém imaginava que ele pudesse estar vivo e pensavam que
era a alma dele que estava passando por ali.
_Mim tirem daqui – Gritava Carlinhos ao mesmo tempo esbofeteava
o caixão.
Quanto mais Carlinhos gritava, mais as pessoas saiam de fininho. Toda
apreensiva, Tainara sabia que ele estava vivo, mas ninguém
acreditava no que ela tentava dizer.
_Ei mocinha, você está louca? – Interrogou Dona
Raimunda – Deixa meu filho em paz. Será que nem morto
ele vai ter sossego? Faça mim o favor, se retire daqui.
Ouvindo isto, Tainara começou a chorar e respondeu:
_Olha Dona Raimunda, talvez eu até esteja louca, mas nunca
fui beijada por um morto antes e se ele mim beijou, bateu no caixão
e pediu pra não ser enterrado, será que não deveríamos
abrir este caixão novamente?
_Veja queridinha, não foi ele te beijou, mas sim o seu assanhamento
e outra coisa, passamos a noite toda velando ele e não sei
se você prestou atenção, mas ele está todo
inchado e até fedendo, será que ele ainda está
vivo?
_Tudo bem, já que ninguém tem coragem de chegar perto
daquele caixão eu vou, mas não é pra enterrá-lo,
mas para abri-lo e torça pra que realmente ele esteja morto,
porque se estiver vivo ele deve estar ouvindo tudo isto. Sabe de uma
coisa, até parece que a senhora está torcendo para que
ele esteja morto mesmo...
_Não faça isto garota, se chegar perto daquele caixão
eu irei te processar.
O
Protetor: Escrita por Dener Rafael
Esta é apenas uma história de entretenimento, não
há base e nem fundamento em vida ninguém, caso haja
será uma mera coincidência.