Um assassino está à solta nas ruas de Goianésia. O assassino é silencioso, fatal e impiedoso. Mata qualquer pessoa. Você, eu, sua família. Todos nós estamos correndo esse risco de sermos assassinados por esse assassino frio a qualquer momento.

O que uma pessoa sensata faria diante desta notícia em nossa comunidade? “Nossa!!! Um assassino a solta e pode nos matar a qualquer hora se sairmos a rua! Vamos trancar as portas, evitar sair a rua sozinho, redobrar a cautela, e torcer pra que esse assassino seja descoberto e a gente volte a ter paz”.

Pois é, seria assim que provavelmente agiríamos. Entretanto, o assassino que ataca nossa comunidade todos os dias é uma pessoa que conhecemos bem, que estamos com ela e a usamos praticamente a toda hora, seja dia ou noite. O nome desse assassino é Trânsito.

Acidente de trânsito é um assassino que não avisa quando vai chegar. Que atinge pessoas desconhecidas, mas que também atinge parentes, amigos e a nós mesmos. E nós, que sabemos da existência desse perigo real a nossas vidas, o que fazemos pra minorar ou erradicar essas mortes?

Graves percas mobilizaram a população de Goianésia nos últimos anos. Muitas famílias e amigos choram a perda de um ente querido pela violência no trânsito. O pior é que a gente só sente os efeitos desse trânsito devastador quando a perda nos atinge de perto, até porque antes disso a gente acredita que isso nunca vai acontecer com alguém de nossa família.

Mas afinal, quem é esse trânsito assassino? Somos nós. Motoristas, pedestres, ciclistas, autoridades de trânsito, autoridades municipais, todos que fazem o uso das vias, sejam elas urbanas ou rurais.

Por que ele mata tanto e nós não nos mobilizamos para neutralizá-lo? A questão de trânsito seguro passa, muito antes, pela educação e respeito ao próximo. Princípios estes que regem a vida em sociedade. Quantos de nós saímos de casa todos os dias com cinto de segurança, capacete correto, atravessa a rua somente em faixas de pedestres, aciona a seta em todas as manobras, respeita os limites de velocidade e cumpre rigorosamente as leis de trânsito? Poucos não é verdade?

Mas será que nossas autoridades fazem também a parte deles? Ruas estão sinalizadas corretamente? Há agentes de trânsito para fiscalizar o trânsito? Parece que por aqui isso não existe não é mesmo?

Então, chegamos a uma conclusão lógica que a causa das mortes no trânsito são decorrentes da soma de culpa nossa e do poder público.

Sabemos quem é o assassino. Sabemos o motivo dele estar por aí a solta. O que podemos fazer para pará-lo?

Bem, a nosso juízo, a maior parcela de culpa em todas essas mortes é do poder público. Não é novidade que Goianésia carece de agentes de trânsito, ou seja, se não há fiscalização contundente o ambiente fica propício à imprudências.

É bem verdade que a Polícia Militar atua na área do trânsito, mas a crescente criminalidade somada ao baixo efetivo, não faz com que essa fiscalização de trânsito seja realizada com excelência. Ora, a Polícia Militar já tem muita tarefa na área da segurança pública.

O munícipio então, deveria pensar em formar agentes de trânsito próprios. O gasto com esses agentes se compensaria com os custos de UTI e médicos que os acidentes de trânsito provocam, sem contar que evitaria a perda de alguém da família, evitaria muita dor.

Mas não só agentes de trânsito. Segurança no trânsito não se faz apenas com rotatórias ou lombadas. Vai muito mais além. É uma soma de esforços mútuos, é investir em educação, trabalhos preventivos, palestras em escolas e comunidades, dentre outras ações.

Indo além, o que pode gerar muitas críticas, nosso munícipio precisa criar um programa de tolerância zero com infrações e descumprimento a normas de trânsito. Tolerância zero mesmo. Claro que inicialmente apenas com tom educativo. Mas não se deve aceitar mais que em uma cidade do porte da nossa, motoristas dirijam tranquilamente sem cinto de segurança, sem capacete afixado na cabeça, sem indicar com setas uma manobra, que furem sinal, que transitem pela contra mão (basta observar por um minuto nas ruas 31 ou 29 que você verá muito isso), que excedam tranquilamente o limite de velocidade, que não respeitem a preferência em rotatórias, que atravessem ruas fora das poucas faixas de pedestres visíveis.

Num primeiro momento, ações para sinalizar todas as vias corretamente (tolerância zero com as omissões do poder público também). Após, aplicar a tolerância zero de forma educativa, através de blitz e abordagens educativas e explicativas. E de forma gradual, que é a forma que o brasileiro se acostumou a cumprir leis, passar-se-ia para aplicação de multas.

Ora, reprimindo pequenas infrações de forma severa, as grandes sequer chegarão a ocorrer, ou se chegar, será em número bem menor do que atualmente presenciamos.

A soma desses esforços, aliados a conscientização, sinalização, educação, fiscalização e por fim, multas, farão com que as pessoas dirijam com prudência, com atenção, com zelo pela vida do próximo. Com essas ações, podemos concluir que o assassino frio que está percorrendo nossas vias, será encarcerado tão logo as ações sejam iniciadas.

Em Goianésia, segundo dados oficiais, de 2018 até hoje, 32 pessoas morreram vítimas de acidentes no trânsito. Quantos amigos e parentes choram a perda dessas pessoas. A morte nos ronda, podemos ser o próximo. Não vamos deixar que esse assassino nos ataque nem ataque um de nós.

Este texto foi escrito por Sillas Magalhães Mendes, e é desvinculado de qualquer cunho político ou partidário.